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Mostrando postagens de maio, 2021

Sonhei tanto contigo

(Poema de Robert Desnos. Tradução de Jorge Lúcio de Campos)  Sonhei tanto contigo  que tu perdes tua realidade. É ainda tempo de alcançar este corpo vivo e de beijar sobre esta      boca o nascimento da voz que me é cara? Sonhei tanto contigo  que meus braços habituados abraçando tua sombra à se     cruzar sobre meu peito não dobrariam a contorno de teu corpo,     talvez. E que, diante da aparência real do  que me ocupa e me governa      há dias e anos tornar-me-ei uma sombra sem dúvida.  Ó balanças sentimentais. Sonhei tanto contigo que não é mais tempo sem dúvida que eu desperte.      Durmo ereto, o corpo exposto a todas as aparências da vida e      do amor e tu, a única que conta hoje para mim, eu       poderia menos tocar tua fronte e teus lábios que os primeiros      lábios e a primeira fronte que vieram....

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A vaidade oblitera a visão. Tola fui por um dia pensar estar imbuída de significados: tateava no escuro, achava que estava no coração do sol. Foi quando me esvaziei por completo e quebrei todos os ossos da alma. Ele fez de meu corpo odre de vinho novo. Me preencheu até o bordo.  Vivo agora em constante embriaguez na púrpura de Seu manto, no ouro de Seu olhar. Nas vinhas, nas vinhas da doçura.  O passado pregresso às vezes bate na porta da casa que não moro mais. Bate tanto que faz desmoronar aquele mausoléu vazio, onde nem os fantasmas se atrevem perambular. Fui salva de um jeito que homem nenhum alcança.  (A.)
"Assim é o brasileiro. Tem sempre uma piada fulminante. Não temos o dinheiro, mas temos a anedota que escorre, por entre os nossos dedos como água." (Nelson Rodrigues)